Sujar as ruas: nova "tendência" do marketing
Marketing e Negócios
Sujar as ruas: nova "tendência" do marketing
Grandes marcas estão usando como ferramenta de marketing de guerrilha pichações e cartazes lambe-lambe. (Dubes Sônego: 23/01, às 18h58min no site da Meio e Mensagem)
A Prefeitura de São Paulo ainda nem deu conta de retirar das ruas todos os outdoors e peças de mídia exterior proibidas pelo projeto Cidade Limpa e já começa a se deparar com outro tipo de poluição visual, que pode vir a ser bem mais nocivo.No afã de ser posicionarem como inovadoras e lançadoras de tendências, grandes marcas estão usando como ferramenta de marketing de guerrilha pichações e cartazes lambe-lambe. As peças não trazem suas marcas explicitamente, mas integram de alguma forma ações de marketing, sendo apresentadas às autoridades e consumidores como arte urbana ou conteúdo.
Há poucas semanas, a Sagatiba, fabricante da cachaça de mesmo nome, colou cartazes lambe-lambe e pichou imagens do cantor e compositor Seu Jorge, em São Paulo e no Rio de Janeiro. O artista é responsável pela música Eterna Busca, que cita a cachaça e foi usada em campanha da empresa.
Na segunda-feira, 22, foi a vez da fabricante de aparelhos celulares Motorola anunciar à imprensa, através de nota, que uma das ações que pretende realizar durante a São Paulo Fashion Week (SPFW), com início programado para esta quarta-feira, 24, é a colagem de dois mil cartazes "que encobrirão os locais mais charmosos" da capital paulista, e a instalação de 200 latas de lixo, "que ganharão roupagem nova".
O roteiro inclui a região dos Jardins, Higienópolis, Vila Madalena, Vila Mariana, Vila Olímpia, Itaim, Ibirapuera/Moema, Cerqueira César, as ruas Oscar Freire e Consolação, além das alamedas Lorena e Franca. Segundo a empresa, todo o material da "Guerrillapaper", como foi batizada a ação, será retirado das ruas em duas semanas.
Questionada sobre a ação, a empresa afirma que não teme prejuízos à imagem da marca por causa da colagem dos cartazes. Os argumentos são os seguintes: Primeiro, o material é arte. Criadas pelo designer americano Joshua Davis, as estampas dos cartazes foram inspiradas em caleidoscópios e não trazem a marca Motorola. Segundo, os dois mil cartazes seriam "muito poucos" e restritos à "algumas ruas e lugares" de São Paulo. E, por fim, a empresa teria solicitado e recebido autorização da Secretaria de Cultura da capital para realizar a ação, através de sua agência especializada em ações do gênero, a inglesa Jack Liberties - coincidência ou não, a Jack Liberties também tem no portfólio ações para a Sagatiba.
"A Motorola pensa sempre à frente, buscando novas tendências. Por isso, queremos oferecer conteúdo personalizado para que as pessoas possam colocar dentro de seus celulares", diz Andréia Vasconcelos, gerente de marketing da Motorola.
Apesar de não trazerem a marca Motorola, os cartazes exibem estampas que, depois, podem ser baixadas através de sites da marca. O material também foi usado como inspiração e subsídio para a construção da decoração do estande da marca na SPFW e ilustrará cartões postais distribuídos em bares, restaurantes e hotéis da cidade, durante o período do evento, fazendo o link com a Motorola. "Estamos ambientando locais esquecidos de grandes cidades - a ação está programada para acontecer, posteriormente, em Londres, Berlim, Paris, Milão, Cidade do México, Buenos Aires, Johannesburgo e Mumbai - com imagens que possam gerar curiosidade. Depois, revelamos de forma diferenciada que é a Motorola que está por trás do projeto", diz a executiva.
Procurada desde segunda-feira, 22, para confirmar se de fato deu autorização para que fossem colados os cartazes da ação patrocinada pela Motorola, a Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo não respondeu à reportagem de Meio & Mensagem.



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